![]() As duas meias deram certoValeu. Como valeu. Das 40 horas de viagem para chegar ao Japão ao título mundial conquistado pelo Inter. Quase duas semanas de cobertura. Um final feliz. Usando dois pares de meias por dia para espantar o frio, virei pé-quente. Não congelei os dedos e o Colorado volta para o Brasil com a taça. Neste blog, tentei mostrar as curiosidades do Japão. Um país tão distante e diferente do nosso, mas que tem muito mais vantagens que problemas. O povo japonês, apesar de falar pouco inglês, é acolhedor e muito simpático. Perdi a conta de quantos amigos fiz aqui. Deixo um agradecimento especial a Mitsuo Kawasaki e seus irmãos, produtores da TV Globo que viram quase nossas "babás" por aqui. Obrigado também à torcida colorada e aos internautas que me acompanharam nessa aventura japonesa. Como pouco falei do Inter por aqui, termino com a foto que todo colorado gostaria de ter:
Pega ladrãoAcostumado com os policiais usando metralhadoras pelas ruas, fiquei surpreso com a pinta desse oficial japonês: de bicicletinha e nem aí para o que está acontecendo pelas ruas. ![]() Nesses dias no Japão, só lembro de ter visto uma delegacia. Mas pude perceber que eles se preocupam sim com a violência. Em um dia, voltando do treino do Inter, passei por uma loja que havia acabado de ser assaltada. Em menos de cinco minutos, apareceram uns dez carros de polícia, várias motos e dezenas de policiais. Parecia que tinham roubado um banco. Nem sinal do ladrão. "Caía, a tarde feito um viaduto..." Não dá para andar pelas ruas de Tóquio e Yokohama e não lembrar da música de Aldir Blanc e João Bosco. É muito viaduto!As cidades são cortadas pelos viadutos, que possuem paredes altas. Alguns parecem até que têm mais que dois andares, de tão altos. O interessante é a forma que os japoneses aproveitam os (poucos) espaços. Embaixo de alguns viadutos há lugares para fazer ginástica ou para crianças brincarem. Claro, também há pessoas morando, sem-tetos. É só um brinquedo...Andando por Yokohama, vejo a seguinte cena: ![]() Calma, gente. É só uma criança comprando um brinquedo. Mas que a arma parecia de verdade, parecia.... A primeira vezConsegui: comi um bife no Japão. Eu sei que há vários restaurantes por aqui que vendem carne, a galera já tinha me avisado nos comentários, mas é complicado ficar procurando porque o dia-a-dia atrás do Inter é corrido. Tenho que apelar para as lojas de conveniência, como falei antes. Mas agora, em Yokohama, está mais tranqüilo. O hotel é perto de tudo, bem diferente da concentração de Tóquio, que era longe de lojas e restaurantes. Olha a carne que eu comi: ![]() Eu sei que não está muito bonita, não era uma picanha, mas deu para matar a vontade e, principalmente, a fome. O bife vem cru e o prato é uma chapa, então ele vai tostando na mesa. O problema é o preço, como tudo no Japão. Esse pratinho aí saiu por uns 13 dólares. No Rio, como um rodízio de churrasco por 15 reais! A salvaçãoQuando eu vim para o Japão, não fazia idéia de como seria minha alimentação. Estou comendo bem menos do que no Brasil, claro, mas não está tão difícil como eu imaginava. A salvação tem nome: loja de conveniência. ![]() São várias (AmPm, 7Eleven, Junkus, etc) e estão por toda a parte. Lá dentro, tem de tudo: pão, sanduíche, biscoito, pratos de comida esquentados na hora, bebidas. Quando a fome bate, é para lá que eu vou. Não é que nem comer em casa, mas faz o estômago parar de roncar. Agora, não estou mais em Tóquio. Cheguei a Yokohama na quinta-feira e estou novamente no mesmo hotel do Inter. Ao contrário do Four Seasos, que era longe de tudo na capital, o Sheraton é no meio de lojas e shoppings. No primeiro dia, já consegui até comer carne! A máscaraHá alguns posts, falei sobre as máscaras que os japoneses gripados usam. Segue a foto de uma que eu vi na rua:
Pato e outros bichosEnquanto um Pato é o principal assunto na cobertura do Internacional no Japão, vi poucos animais de estimação até agora em Tóquio e, me arrisco a dizer, não vi nenhum cachorro de rua, os vira-latas. O maior bicho que eu vi foi um dálmata, passeando com seu dono. Os outros três cachorros que eu esbarrei pelas ruas eram bem pequenos, e estavam até dentro da cestinha da bicicleta de uma mulher. Mas, nada supera uma loja de animais visitada por um amigo que está aqui cobrindo o Inter também: um porco, grande, estava sendo vendido para ser animal de estimação. Com dois meses de vida, o porquinho já é do tamanho de uma mochila, por exemplo. Olha a foto dele aí:
Vale mais que bicicletaNa porta do hotel onde estou, o mesmo do Inter, há um "guarda guarda-chuva". É uma espécie de móvel, com várias entradas para colocar os guarda-chuvas, com cadeados. ![]() Enquanto os guarda-chuvas ficam trancados, há bicicletas estacionadas ao lado. Porém, sem cadeados. "A maior escada rolante do mundo"Tenho andado mais de carro (taxi) por aqui, mas na segunda-feira resolvi conhecer o metrô, que só pelo mapa já assusta: ![]() Só uma coisa tem mais no metrô de Tóquio do que trens: escadas rolantes. São muitas, em todas as estações. Tinha uma tão grande descendo que eu pensei que chegaria no Brasil. Cheguei a falar "Essa é a maior escada rolante do mundo!", levando um colega jornalista a fazer piada com isso o dia inteiro.Os bilhetes têm preços diferentes, depende da distância que você vai percorrer. Antes de comprar em uma maquininha, deve-se fazer as contas de cabeça e comprar o valor certo. Se tentar ser esperto e pagar mais barato, não dá para passar pela catraca na saída. Os bancos são alcochoados, há espécies de ganchos no teto para os passageiros segurarem, banheiros nas estações e os trens são bem limpos. É tudo tão tranqüilo, que muitos aproveitam a viagem para dormir.
De fashions a popozudas![]() Outro dia fui conhecer Roppongi, o lugar mais agitado de Tóquio. Gostei. A noite é muito mais animada do que eu imaginava e achei legal. Não sou muito de "balada" e jantei no Hard Rock Cafe, nada muito japonês, eu sei. Essa na foto é a garçonete Erisa, com nome e rosto parecidos com a de uma brasileira - acho que essa foto vai me dar problemas com minha namorada... Além de moças oferecendo "massagens" pelas ruas, me fazendo lembrar de Copacabana, havia muita gente nas calçadas. Bem movimentado e pessoas de todos os tipos, com bastante estrangeiros. Entrei só em uma boate e vi o que jamais pensei que veria no Japão: moças empolgadas dançando em cima do balcão, enquanto a galera ia ao delírio na festa. Mauricinhos, patricinhas, fashions, "manos", a variedade de tribos é grande, como em qualquer metrópole. O que achei mais engraçado foram os homens com roupas de rappers americanos, calças largas, camisas grandes, bonés virados. Também havia as popozudas, com shortinhos e mini-saias. A Rua da Alfândega![]() Acompanhei os jogadores do Inter neste domingo ao bairro de Hakihabara em Tóquio, o paraíso dos produtos eletrônicos. Tinha de tudo nas lojas: câmeras digitais, ipods, laptops, monitores, filmadoras, video games... A relação dos japoneses com a tecnologia me assustou um pouco. Tinha uma fila gigante de pessoas esperando uma loja abrir. Não entendi do que se tratava, parecia que era o lançamento de algum produto. ![]() Tudo é muito simples por aqui. Ter um carro com GPS é normal, como mostrei antes. Para ter um celular moderno, eles não pagam nada pelo aparelho, só a conta telefônica. Tudo funciona. Tudo é novo. Dá inveja. Fama internacionalAconteceu um fato curioso hoje. Meu telefone do quarto tocou e era um espanhol, torcedor do Barcelona. Ele achou este blog na internet e me ligou para saber informações sobre a programação do Barça! E pior que eu tinha e passei pra ele. Como já perguntaram nos comentários também, segue o nome do hotel do time de Ronaldinho: Yokohama Royal Park, em Yokohama. É isso aí, abraços! Até a próxima. Carros![]() A maioria já sabe, mas para quem não sabia lá vai: a direção dos carros aqui no Japão é no lado direito. É meio esquisito andar no banco do carona, pois sempre parece que estamos na contra-mão e que haverá batida... Outra diferença é que a maioria dos carros tem navegador GPS, que mostra detalhadamente todo o caminho que você deseja percorrer. Há o mapa da cidade, com a marcação do trajeto, indicando ainda quantos quilômetros faltam até o destino final.No carro que eu andei, na mesma tela do GPS dá para ver televisão e é normal olhar para o veículo ao lado e pegar um motorista assistindo a um programa. Eu já vi até um taxista vendo uma matéria sobre Fernandão na TV japonesa. O teste do sanduíche![]() Desde que eu cheguei aqui, estava curioso para ir ao McDonald's. Fui neste sábado, almocei lá. Aconteceu o que eu esperava: não entendi nada do cardápio, achei tudo engraçado e tive que fazer mímica para pedir o sanduíche. Esqueçam o cardápio da lanchonete brasileira, que é igual em qualquer loja que você for. Não reconheci nenhum sanduíche no letreiro, como vocês podem ver na foto acima. Só um é universal: o Big Mac. Acabei comendo ele mesmo. O preço do sanduíche foi cerca de R$ 10,00. O sabor é o mesmo, com picles, gergelim, alface e tudo que a velha musiquinha falava. Achei só a batata frita um pouco diferente. Como disse um pessoal nos comentários, não é só peixe cru que existe por aqui, claro. Além da lanchonete americana, há vários restaurantes com comidas variadas e lojas de conveniência que vendem de tudo. Segundo mandamento: não tente falar inglês Se você sair do hotel ou do aeroporto no Japão, não tente falar inglês. É complicado achar pela rua alguém que conseguirá te entender, até mesmo em lojas. Ou o contrário: é difícil compreender o inglês dos japoneses.Sexta, fui a uma loja de conveniência comprar comida. O pão foi fácil achar, mas eu não iria comer pão puro. Pergunto a atendente pela manteiga, em inglês. Ela não entende. Aí, entra a mímica: peguei o pão e fingi que estava passando algo com a faca. Deu certo: em um minuto estava com a manteiga na mão. Um colega jornalista que está aqui acompanhando o Inter já passou por algo mais engraçado. Ao tentar comer em uma lanchonete, leu o seguinte aviso na porta: "Nossa equipe não fala inglês. Tente japonês". Detalhe: a placa estava em inglês! Sem inglês e sem entender nada de japonês, o negócio é apelar para os sinais e a mímica. Além do pão e da manteiga, consegui comprar um prato de macarrão, apontando para o letreiro. Para os noveleirosA pedido da direção do Internacional, o hotel Four Seasons, onde eu e o time estamos hospedados, assinou a Globo Internacional. Assim, a galera mata a saudade do Brasil. Os horários dos programas são parecidos com os da Globo brasileira. Por exemplo, às 20h30m de Tóquio estava passando a novela Páginas da Vida. ![]() Mania de Michael Jackson?No avião eu vi o primeiro. No aeroporto, o segundo. Na rua, o terceiro! Onde eu olho tem um japonês usando aquelas máscaras cirúrgicas, como as que o Michael Jackson usava para não respirar o mesmo ar que nós, seres humanos. Pensei que os japoneses também estavam evitando a poluição de Tóquio. Mas não. Segundo o repórter da TV Globo Marcos Uchôa, só usa a máscara quem está gripado. Assim, ele não passará o vírus para ninguém. Ou seja: eu pensando que os caras eram cheios de marra, mas na verdade estão sendo educados... Primeiro mandamento: não duvide do fusoQuando me falavam do fuso horário, eu pensava que era besteira. "Ah, é só dormir de noite que tudo se encaixa", previa. Ledo engano. Mesmo chegando já tarde aqui em Tóquio e com sono, dormi pouco nesse primeiro dia. Meu organismo ainda deve estar com a rotina do Brasil, com 11 horas de "atraso" pro Japão. Então, esse é o primeiro mandamento de quem se aventura pelo Oriente: não duvide do fuso, ele existe e atrapalha. Tem até controle remoto na privada... Eu sabia que ia ser desgastante, mas não tanto. Pelas minhas contas, só dentro do avião fiquei 22 horas. Mais oito esperando no aeroporto de Guarulhos e mais dez no saguão de um hotel na França. Ou seja: 40 horas de viagem para acompanhar o Internacional no Japão. Se os jogadores, que viajaram na classe executiva com direito a esticar as pernas e ainda dormiram em camas em Paris, estão cansados, imaginem os jornalistas. Agora, por exemplo, os atletas estão dormindo, às 1h da manhã por aqui. Eu e meus colegas estamos em frente aos computadores, enviando para o Brasil o que se passa aqui. Neste blog, que estréia agora, vou tentar revelar a vocês como é Tóquio. Conheci pouco até o momento, só o aeroporto de Narita e o hotel. O que mais impressiona é a tecnologia, chega a assustar: a maioria dos carros tem GPS e televisão portátil; as moedas de ienes são esquisitas e uma nem tem o valor; o motorista senta do lado direito do veículo; aluga-se telefone celular, mais moderno que o meu brasileiro, por US$ 5 por dia; o vaso sanitário tem uma espécie de controle remoto (veja a foto ao lado); e, o mais importante, quando for apresentado a alguém, dê um cartão com seu nome, telefone e endereço.Esqueci o meu cartão de visita, não falo japonês e não sou fã da comida daqui. A aventura começou. Thiago Dias
Thiago Dias
Jornalista, 26 anos Sem falar nada de japonês e sem paladar para peixe cru, Thiago Dias, repórter do GLOBOESPORTE.COM, se vira como pode pelas ruas de Tóquio e Yokohama para cobrir o Internacional no Mundial de Clubes. Sua missão é mostrar tudo que acontece no Colorado e não morrer de fome. Página do Internacional 3° Mundial de Clubes Na cola do Inter 13/12/2006 - 14/12/2006 11/12/2006 - 12/12/2006 10/12/2006 - 11/12/2006 09/12/2006 - 09/12/2006 08/12/2006 - 08/12/2006 07/12/2006 - 07/12/2006
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